Em 1999, comprámos um CD da Nina Simone. Não fazia parte da minha história com a música e nem sei porque o comprámos. Talvez tenha sido porque estava ali, na zona do Jazz que andávamos a explorar na FNAC. Talvez porque andávamos a ver tudo e nada. Talvez porque tínhamos tempo, antes ou depois do jantar, num tempo em que o Colombo e a FNAC eram muito as nossas lojas de bairro. Talvez apenas porque estivesse em promoção. Ou talvez porque a Nina Simone tem uma bonita voz que soa ainda melhor ao som da música. Apesar de nem esperar que fosse um CD muitas vezes ouvido, é certo que foi connosco para casa. Foi, de certeza, acompanhado por outros à mistura talvez com livros e acessórios tecnológicos. E foi muito ouvido. Foi tocado vezes sem conta na nossa sala, ouvido em manhãs de fim de semana enquanto líamos o Expresso. Foi tocado ainda muitas vezes em fins de dia que entraram pela noite dentro. Tocado numa versão “lazy mood” ou numa versão “dancing mood”, tocado quase sempre a dois. Hoje, surgiu-me no You Tube a Nina Simone, a sua voz afirmava que “my baby just cares for me”… E ouvi-la fez-me lembrar como o CD, agora encafuado numa caixa arrumada algures, é tão especial. Especial porque as memórias que evoca são apenas de uma pessoa e de momentos com essa pessoa. E depois, lembrei-me também da cena final de um filme que, juntamente com os outros dois que integram a trilogia “Before…”, é um filme que consigo rever vezes sem conta com o mesmo agrado – “Before the sunset”. Filmes que integrariam, se algum dia a fizesse, a lista dos filmes que ficaram na minha vida.
O Dubai é, possivelmente, o local do mundo onde me senti mais feliz, muito muito feliz, e triste, muito muito triste. Já passou muito tempo depois dessas visitas em que, à chegada, me apetecia cantar e rir m


















Não há nada de melhor nem de pior que chegar a uma casa nova vazia e apenas com um amontoado de caixas e malas estratégica e caoticamente espalhadas pela sala.